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Capitulo 1 Jesus Cristo realmente existiu CAPÍTULO 1 Jesus Cristo realmente existiu Falar de Jesus Cristo é falar da essência do cristianismo. O cristianismo implica princípios filosóficos, mas não é filosofia; contém princípios éticos, mas não é uma ética; possui princípios sociais, mas não é um movimento social. O cristianismo é Cristo conhecido, acreditado, amado, seguido e transmitido. A história, cristã e pagã, dá testemunho de que Jesus Cristo existiu de verdade. Faz parte da coerência humana aceitar fatos históricos; seguir a doutrina e a mensagem de Jesus já requer, por uma parte, fé e, por outra, vontade e aceitação. 1. Jesus Cristo não é um mito. Existiu realmente. Existem documentos históricos sobre Jesus de Nazaré. Escritores pagãos: No princípio do século II se mencionam os chamados cristãos, aqueles que professam a fé em Cristo, considerado Deus. É o caso da carta que o historiador Plínio o Jovem, pró-consul da Bitínia, escreveu no ano 112 ao imperador Trajano: Os cristãos se reúnem num dia determinado, antes do amanhecer, e entoam hinos a Cristo como a um deus. Tácito, Escritores judeus: Flávio Josefo, historiador judeu, Testemunhos cristãos: Um conjunto de 27 documentos está compilado no Novo Testamento: quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, 14 cartas de São Paulo, as 7 cartas chamadas católicas (de São Tiago, a primeira e a segunda de São Pedro, as três de São João e a de Judas Tadeu) e, finalmente, o Apocalipse. O Novo Testamento não é um livro de história. É um conjunto de livros que contêm o anúncio da mensagem da fé. Há nele muitos dados históricos, mais que nos livros não cristãos; o mais importante, porém, é a fé e a conversão. Não podemos, portanto, olhar para estes livros com os olhos do historiador e sim com o coração de quem crê. Também existem outros livros cristãos que falam de Jesus, mas eles não são reconhecidos pela Igreja como autênticos e revelados. Neles, mais do que a fé e a história, se reflete a euforia, a admiração humana dos milagres, as reflexões particulares. Tais livros são chamados de apócrifos. Os Evangelhos: São a fonte mais importante da história de Cristo. Foram escritos à luz da Páscoa. Os redatores se serviram, numa primeira compilação, de documentos escritos anteriormente e de investigações pessoais, ao mesmo tempo em que davam aos seus escritos uma intencionalidade teológica. Um desses documentos anteriores é a chamada Quelle (fonte em alemão) que compilava discursos e logia (frases curtas memorizadas) de Cristo, existentes já nos anos 40, que foram utilizados por Lucas e Mateus. Outra fonte escrita é a conhecida pelo nome de tríplice tradição, que compila os fatos da vida de Cristo que os três sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) utilizaram. Dispomos de critérios válidos que nos permitem escutar, se não com as mesmas palavras de Jesus (obsessão do século passado) ao menos a mensagem autêntica de Jesus e visualizar fatos ocorridos realmente e que são de Jesus de Nazaré. 2. Como era a Palestina nos tempos de Jesus Situação política: A Palestina estava dominada por Roma. A cultura dominante do país era a judaica, mas também o grego era falado. Era um país, portanto, com várias culturas: a hebraica, a grega e a romana. Roma respeitava bastante as instituições e peculiaridades dos povos que dominava. Havia um representante romano para governar com uma pequena guarda. A vida de Jesus se desenrola no tempo dos imperadores Augusto e Tibério. Herodes, o Grande, é o rei de toda a Palestina na época do nascimento de Jesus. Herodes morre e deixa o território para os filhos: Herodes Antipas herda a Galiléia e Arquelau a Judéia. No tempo de Jesus havia também judeus rebeldes que lutavam pela independência da Palestina. Entre eles estavam Judas Galileu e os zelotes. Situação social: A Palestina se compunha de dois grupos sociais: os judeus habitantes da própria Palestina e os pagãos romanos. Havia bastantes judeus na diáspora, ou seja, vivendo fora da Palestina. Dentro do grupo judeu havia duas linhas do ponto de vista religioso: Os fariseus eram um grupo religioso de maioria leiga, embora dele fizessem parte alguns sacerdotes. Obedeciam estritamente à Lei de Moisés. Respeitavam as tradições (sábado, ritos purificadores, orações, esmola, dízimo, etc), estudavam a Lei de Moisés, eram influentes e respeitados. Esperavam a futura vinda de um Messias libertador político, acreditavam na ressurreição final, desejavam a independência da Palestina. Não eram amigos dos romanos ainda que vivessem com eles. Os saduceus eram um grupo religioso ao qual pertenciam as famílias sacerdotais mais importantes. Queriam também a independência, mas viviam sem grandes problemas sob a dominação romana. Rejeitavam as tradições orais judaicas e não acreditavam na ressurreição. Eram ricos. Outras classes sociais: a grande multidão, gente simples, religiosa. Os sacerdotes, que cuidavam do templo e ofereciam sacrifícios. Os levitas ajudavam os sacerdotes. Os guardas do templo punham ordem dentro do recinto do templo. Os escribas, mestres e advogados. Os anciãos, cujas decisões eram determinantes. Os essênios ou monges de Qunram, uma espécie de ordem religiosa. Os discípulos de João Batista. Os publicanos, unidos aos romanos, cobravam impostos, eram ricos e odiados; considerados pecadores, não cumpriam a lei nem as purificações. Os herodianos desejavam que a família de Herodes tomasse o poder na Palestina. Os zelotas eram rebeldes e fanáticos contra a dominação romana; nacionalistas: patriotas, crentes e violentos, queriam uma nação livre e governada em nome de Deus. 3. Quais eram as instituições religiosas Assim se resumia a fé israelita: fé em um só Deus, revelada aos Patriarcas, contida nas Escrituras; fé na eleição do povo de Israel. Estas são as instituições religiosas no tempo de Jesus: Sinédrio: para assuntos religiosos. Senado composto de 65 membros e presidido pelo sumo sacerdote. Formado por sacerdotes anciãos e escribas, com poder para julgar e castigar quem cometesse faltas em matéria religiosa. Para condenar à morte precisava da permissão do representante romano. Sinagoga: lugar de reunião dos judeus para rezar, ler e escutar a Escritura, sempre aos sábados. Templo: o centro da vida religiosa nacional. Construído e mantido com a contribuição dos fiéis. Nele eram oferecidos os sacrifícios. Festas religiosas: O Sábado começava já na sexta-feira à tarde e durante ele todo trabalho era proibido terminantemente. A Páscoa é a festa principal, que comemora a libertação do povo eleito escravizado no Egito. Pentecostes: festa da Aliança realizada no Sinai entre Deus e Israel. Tabernáculos: ação de graças pelas colheitas e frutos. Dia da Reconciliação: perdão dos pecados de todo o povo. Dedicação do templo: aniversário da dedicação do templo feita por Judas Macabeu. Que relação tinha Jesus com estas instituições sociais, políticas e religiosas? Podemos dizer o seguinte: Jesus era judeu de nascimento. Pertencia à classe média baixa, devido ao seu ofício de carpinteiro. Morava na província da Galiléia. Não era de família sacerdotal. Sua religiosidade era mais coincidente com a dos fariseus, mas sem que isto implicasse no cumprimento da lei e de todas as tradições. Não se manifesta por nenhuma opção política a favor ou contra Roma. Fala e se relaciona com homens de todas as classes sociais: sacerdotes, fariseus, saduceus, pobres, publicanos, prostitutas, doentes, pescadores, soldados romanos... Não era escravo, nem mendigo, nem diarista. CONCLUSÃO: A existência de Cristo pertence à doutrina da fé, assim como também pertence à fé o fato de Cristo ter morrido por nós e ressuscitado ao terceiro dia. A fé em Cristo, portanto, não é uma crença num ser atemporal de que tivemos notícia por uma experiência mística, e menos ainda a crença num mito ou num símbolo. A nossa fé em Cristo é fé |
Bento XVI dedica sua última reflexão de 2008 aos jovens <www.zenit.org, Janeiro 1> Bento XVI: com graça de Deus, futuro pode ser melhor que passado <www.zenit.org, Janeiro 1> Homilia de Bento XVI na noite de Natal <www.zenit.org, Dezembro 25> | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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