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Sede de eternidade
Pe. Francisco Aguilar, L.C.

Por mais estranho que pareça, a história da minha vocação começou em um funeral. Tinha 15 anos. Naquela época meu sonho era ser um grande empresário ou um político importante. O funeral era de um senhor que tinha conseguido abundantes êxitos no campo empresarial e econômico. Lembro que enquanto colocavam o caixão na cova, uma das cordas que sustentavam o caixão se embaraçou, provocando sua inclinação: ficou profundamente gravado em mim o ruído daquele corpo que rolava dentro do caixão. Aquele homem poderoso, milionário, não levava nenhuma de suas conquistas; agora era só um cadáver inerte.


Num período de menos de quatro meses, meu avô materno e três tios-avôs faleceram. Veio então um forte sentimento de desgosto diante da morte, diante da efemeridade da vida e diante da aparente inutilidade do que fazemos aqui na terra. Diante destes fatos fui experimentando cada vez mais a caducidade dos bens materiais e de todos os prazeres. Decidi não buscar êxitos que terminariam ao final da minha curta vida; dei-me conta de que o mais importante era Deus, porque Deus é o único que nunca se acaba.

Um ano depois conheci os Legionários de Cristo e os grupos de jovens que eles dirigem. Impressionou-me seu modo de ser. Atraiu-me o modo com que concebiam sua atividade apostólica: desejo de empreender grandes obras por Cristo, trabalho organizado e sistemático, objetivos claros, etc. Em uma viagem que fiz a Roma quatro anos depois, tive a oportunidade de ir a uma conferência do Pe. Marcial Maciel, L.C.. Ele disse uma frase que me impressionou, pois coincidia com as inquietudes que haviam surgido em minha mente depois do funeral ao qual mencionei: Ao final da vida a única coisa que fica é o que fizemos por Deus e por nossos irmãos, os homens. Pensando nestas palavras, tracei o que segundo eu, seria o meu projeto de vida: ser um líder em minha carreira, para assim ajudar aos demais segundo os critérios de Cristo.

Em fevereiro de 1990, um padre legionário me convidou para uma convivência cujo tema seria o da vocação sacerdotal. Eu não pensava em ser sacerdote. A idéia não me despertava muito atenção, mas decidi ir. Assisti a essa convivência de um fim de semana, e saí tranqüilo com a firme e sincera convicção de que Deus não me queria sacerdote, mas pelo contrário, que a minha vocação era o matrimônio, seguindo além disso meus projetos de vida antes mencionado.

Todavia, curiosamente, naqueles mesmos dias experimentei um grande vazio interior. Vi que tudo aquilo que antes me satisfizera e entusiasmara, não tinha mais sentido, parecia pequeno. Sentia o desejo de algo maior, de algo que não se acabasse. Por outro lado, nesse mesmo ano realizei muitos dos meus sonhos. Do ponto de vista humano estava alcançando muitas vitórias, masjá não me satisfazia.

Busquei encher esse vazio com festas, diversões sanas, mas nada. A sensação de vazio se fazia cada vez mais presente. Depois de um ano, em janeiro de 1991, entrei em uma capela para reclamar a Deus sobre esse vazio que não sabia como preencher. Durante uma hora estive dizendo-lhe que me pedisse o que fosse que eu prometia fazer, com o propósito de superar essa situação. Durante essa hora Deus não me disse nada, mas nessa mesma noite, quando fui dormir, Ele respondeu. Percebi com clareza em meu interior que Deus me pedia para participar do curso vocacional desse verão. Não podia explicar com palavras como cheguei a essa certeza, mas o fato estava ali. Deus se fez presente em minha alma.

Em seguida veio a tentação de rebelar-me ao que Deus me pedia, pois sabia que ir ao curso vocacional suporia a possibilidade de ingressar no noviciado da Legião de Cristo. Sinceramente não esperava essa resposta. Todavia, como havia feito uma promessa, não pude deixar de cumpri-la.

No momento em que dei a Deus o meu sim, o vazio desapareceu; mas agora começava uma guerra interior: os planos de Deus contra meus planos. Eu queria convencer-lhe que os meus eram melhores que os seus, que podia conseguir mais vitórias com os meus do que com os seus.

Fui ao curso vocacional nesse verão e posteriormente ingressei no noviciado da Legião de Cristo. Com o passar dos dias, fui vendo com maior clareza que Deus me queria sacerdote. Agora sou sacerdote, e posso dizer que o maior acerto que fiz na vida foi seguir os planos de Deus ao invés dos meus; sua vontade antes da minha. No início nem tudo era claro. Pouco a pouco veio a luz com o porquê de muitas coisas. Não há dúvida de que a única forma de não se enganar e de ter êxito assegurado é seguir sempre a vontade de Deus.

O Pe. Francisco Aguilar nasceu em Celaya, México, no dia 13 de maio de 1970. É o filho mais velho de uma família de quatro irmãos. Viveu durante 17 anos em Aguascalientes. Estudou Engenharia Industrial e de Sistemas no Instituto Tecnológico de Monterrey. Em 1991 ingressou no noviciado da Legião de Cristo em Salamanca, Espanha. Cursou os estudos de filosofia no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma.

                                                                                                                                                                                                       
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