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Vivia num ambiente muito sadio. O meu apelido era Sorriso, porque os meus amigos comentavam que eu vivia rindo. Eu era realmente feliz e tinha relativamente tudo o que um garoto da minha idade gostaria de ter. Mas apesar disso, no fundo, eu sempre sentia certa angústia, como uma sensação de estar faltando algo na vida e não sabia o que era... Sou o Ir. Carlos. Nasci em Gaspar, Santa Catarina. Meu pai é de uma famíla católica, de doze irmãos e minha mãe proveniente de uma família luterana, sendo a terceira de cinco filhos. Em casa não éramos praticantes da religão, até que em maio de 2002, o meu professor de história, Vitório, após a aula me perguntou se eu era católico. Eu lhe respondi que sim e me convidou para passar um fim de semana num seminário, em Curitiba. Eu pedi permissão aos meus pais e fui, com mais uns trinta garotos da minha cidade. Gostei bastante do ambiente. Era o centro vocacional, o seminário menor que os legionários têm em Curitiba. Ao voltar para casa minha mãe perguntou se eu tinha gostado da convivência e se gostaria de ser padre. Eu respondi a ela que sim. Gostei, mas só para visitar e não para morar lá. Os padres do seminário começaram a ir à minha casa e a ter contato com a minha família. Foram várias vezes no ano, até que em dezembro um deles, o padre Sávio, me perguntou se eu gostaria de fazer uma convivência de um mês no seminário em janeiro de dois mil e dois, para ver se realmente Deus estava me chamando para ser sacerdote. Eu lhe respondi que não, porque em janeiro já tinha combinado com a minha equipe de futebol que participaríamos em dois campeonatos, um no Rio Grande do Sul e outro em São Paulo e que cada um durava dez dias, preenchendo quase que por completo todo o mês. No fundo eu realmente não queria ir para o seminário. O meu sonho era ser jogador de futebol, casar e ter muitos filhos. E assim passou o ano de dois mil e dois. Em janeiro de dois mil e três viajei com a minha escolinha de futebol e regressei muito feliz: realmente estava convicto de que queria ser jogador de futebol e que era isso o que Deus queria para mim e não o seminário. O tempo foi passando e os padres não foram mais na minha casa. Depois fiquei sabendo o porquê: minha mãe tinha escrito, sem que eu soubesse, uma carta para eles, dizendo-lhes que estavam perdendo o tempo comigo, porque eu não queria ser sacerdote. Também eu fiquei mais aliviado por não irem mais à minha casa. Na verdade creio que antes deles nenhum padre tinha ido à minha casa. Mas os meses foram passando, e pouco a pouco fui amadurecendo na vida. Percebia como tudo era sempre igual e que um dia eu iria deixar este mundo como todos os que agora habitam nele. Isso me causava muita tristeza. Estes pensamentos começaram a vir, sobretudo quando o meu avô faleceu, em fevereiro de dois mil e três. Mas decidi me animar e continuar com o meu sonho de ser jogador de futebol. Vivia num ambiente muito sadio. O meu apelido era Sorriso, porque os meus amigos comentavam que eu vivia rindo. Eu era realmente feliz e tinha relativamente tudo o que um garoto da minha idade gostaria de ter. Mas apesar disso, no fundo, eu sempre sentia certa angústia, como uma sensação de estar faltando algo na vida e não sabia o que era. Comecei a buscar esse algo em outros esportes e depois em outras diversões, mas cada vez sentia-me mais insaciado. Era como se tivesse uma grande sede e não soubesse como saciá-la. Assim foi passando o ano de dois mil e três. Já nem sequer me lembrava mais do seminário. Mas, num domingo de setembro, estava na missa com a minha família, que desde a morte do meu avô começou a ir todos os domingos, e nela pedi a Deus que me desse uma luz, que me ajudasse para ver o que Ele queria para mim. Então, como que de repente, comecei a me lembrar do seminário, dos padres e do ambiente de lá. Disse então sorrindo à minha mãe, que estava sentada ao meu lado: Já sei o que quero fazer da minha vida. Ela me perguntou o que estava falando e lhe dise que explicaria depois da missa. Quando voltávamos no carro disse a ela que queria entrar no seminário dos legionários em Curitiba e ser padre. Ela ficou um pouco surpreendida, mas não deu importância, porque pensava que era mais um dos muitos sonhos que tive naquele ano e que cedo ou tarde desisitiria da idéia. Logo que cheguei em casa, liguei para o seminário e disse ao padre Sávio que queria ser sacerdote. Perguntei-lhe o que tinha que fazer para entrar no seminário. Ele também estava surpreso com essa decisão repentina e comentou que antes de entrar em janeiro, para fazer essa experiência de um mês, chamada Cursinho de Verão, seria conveniente que passasse lá antes, para fazer uma convivência de três dias, em outubro (ou: para passar alguns dias e conhecer melhor o seminário). Gostei muito da convivência e o padre me deu alguns conselhos para perseverar na minha decisão e chegar preparado para janeiro. Cortei o cabelo, que estava um pouco comprido e vivi muito bem esses meses prévios que tive antes do Cursinho de verão. Chegado o dia dez de janeiro de dois mil e quatro, me despedi da minha família e empreendi a viagem, entre as lágrimas da minha mãe. Estudei em Curitiba durante três anos, onde cursei a oitava série e os dois primeiros anos do Ensino Médio. Em fevereiro vim ao noviciado da Congregação, em São Paulo, e recebi a batina no dia dez de março de dois mil e sete, onde estou até hoje. |
Consagradas mostram como Igreja é pura e bela, afirma Papa <www.zenit.org, Setembro 16> Catequese do Papa: Clara de Assis, esposa de Cristo <www.zenit.org, Setembro 16> Uma anglicana bate às portas de Roma <www.zenit.org, Setembro 16> | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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