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Capítulo 6 Jesus e os apóstolos Para cumprir a sua missão, Jesus não quis ficar sozinho. Quis rodear-se de um grupo de amigos. Precisava deles, por que não? Não vive numa longínqua nuvem de admiração distante. Está com eles, vive com eles, lhes fala, os forma, os educa, come com eles. Buda e Maomé estão, humanamente, muito mais longe dos seus seguidores do que Jesus dos seus apóstolos. Humanamente, entre Jesus e os seus existe uma bela corrente de companheirismo e de fraternidade. No âmbito divino, existe uma barreira que marca o mistério da divindade. Os seus íntimos Ele torna partícipes dos seus segredos, da sua amizade e da sua missão. Na sua passagem pela terra, Jesus quis formar uma comunidade de íntimos, com a qual começou o seu Reino, a sua Igreja. Elegeu-os porque quis e os chamou de diferentes vilarejos, condições sociais e modos de pensar. Eles, para seguir Jesus, deixaram tudo e se lançaram ao mundo, confiando no Chefe e Mestre que os tinha convidado, vivendo sob o vento e sob o sol e dormindo onde a noite os surpreendesse. 1. Características dos doze. Elegeu-os um a um, com qualidades e defeitos. Cada um é diferente do outro. Diferentes de cidade, de condição social e de ideologia; uns eram ricos, outros pobres; alguns revolucionários, outros colaboracionistas; uns solteiros, outros casados; uns mais íntegros moralmente, outros nem tanto. A todos eles Jesus chamou livremente, não porque tivessem feito alguma coisa especial, mas porque Ele quis, sem mérito algum. Constituem um grupo eleito. Ele os forma em grupo. Jesus os forma de um jeito especial, lhes abre o seu coração, explica a eles a sua mensagem profunda.. Revela quem é o seu Pai celestial. Jesus age neles de maneira muito diferente da de um mestre que transmite um ensinamento teórico. Ele se faz companheiro de tarefa e missão. Não é um Sócrates que ensina de cima da sua cátedra, mas um amigo íntimo que compartilha e vive com eles a mesma sorte e destino, come com eles na mesma mesa e dorme ao seu lado. Ele os forma na vida cotidiana. Cristo os envia em missão de dois em dois, nunca um sozinho. A missão tem que ser feita por todos juntos. Ele os envia a pregar, a anunciar esse Reino que Jesus veio estabelecer na terra e que terminará no céu. Para tal tarefa está prometida a sua assistência, mas Ele não lhes poupará dificuldades e espinhos no caminho. Lutarão, sofrerão, serão perseguidos. Cristo não lhes esconde a cruz. Ao contrário, os convida a carregá-la todos os dias. Com eles Ele cria um novo estilo de vida, cuja lei suprema é a liberdade e o amor; os quer livres: por isso os convida a segui-lo e não os obriga; esta liberdade gera alegria: os quer alegres, porque está com eles o Esposo em plena festa e banquete. Esta não é a liberdade para se fazer tudo o que vier à mente. É a liberdade dos filhos de Deus, que querem servir somente a Ele. A Causa do Evangelho, da Boa Nova, exige deixar tudo para seguir radicalmente a Jesus. Terão que romper todos os laços familiares, não porque não amem mais as suas famílias, mas porque é uma exigência da dedicação total, absorvente, à Causa do Reino. Devem optar por Cristo e dedicar-se a Ele vinte e quatro horas por dia, desprendendo-se de todo o mais. 2. Que missão lhes confiou? Estar com Ele: missão de viver com Ele, fazer a experiência íntima dele, tê-lo como amigo íntimo da alma, até chegar a pensar como Ele, sentir como Ele, amar como Ele. É o que chamamos de identificação real com Jesus. Pregar o Evangelho a todo mundo: para que todos os homens cheguem a conhecer Jesus e a sua mensagem de salvação. Por isso eles foram por toda a parte e foi graças a eles que a semente do Evangelho se espalhou. Ser luz do mundo: luz que ilumina todos os cantos da sociedade. Luz que aquece os corações frios. Ser sal da terra: sal que dá sabor à vida. Sal que preserva da corrupção. Expulsar demônios: expulsar demônios do corpo e demônios da alma. Curar enfermos: curar corpos e curar almas. Ensinar a guardar tudo o que Ele mandou: fidelidade à mensagem. Batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo para fazer de todos filhos de Deus. 3. Quem são os doze? Simão Pedro tem a personalidade mais forte do grupo. Chamado por Jesus, observado por Jesus e escolhido por Jesus. Jesus via, por detrás do pescador da Galiléia, toda a sua Igreja até o final dos tempos. Assim como conhece o seu passado, também sabe qual será o seu futuro: "Tu serás chamado Cefas". Confessa a divindade de Jesus. Indiscutivelmente um líder, ardente, orgulhoso, terrivelmente seguro de si mesmo, inimigo das meias palavras, duro no falar, emocionante na fidelidade ao Mestre, dramático em sua traição, generoso no arrependimento, teimoso. Testemunha da ressurreição da filha de Jairo, da transfiguração no Tabor, da agonia de Cristo no Getsêmani. Quis andar sobre as águas, mas duvidou de Jesus. Jesus o tornou chefe do grupo, mas logo em seguida corrigiu-lhe as ambições humanas e terrenas. Apesar da queda, Jesus o recupera e lhe confere o primado depois da pesca milagrosa. "Apascenta as minhas ovelhas, apascenta os meus cordeiros". Jesus previu o seu martírio e Pedro dará a vida por Ele, com prazer e valentia. André, seu irmão: um tanto tímido, profundamente religioso. Mais constante que o irmão Pedro. Austero. Foi também chamado, escolhido por Cristo. É André quem apresentará a Jesus alguns gregos que querem vê-lo. É ele quem perguntará a Jesus sobre o fim do mundo. Tiago o Maior: violento, de gênio vivo, ambicioso. Foi o primeiro a morrer por Jesus, martirizado por Herodes Agripa. Não esqueçamos que Cristo já tinha previsto o seu martírio como resposta à sua ambição. Movido pelo zelo por Deus, decidiu impor as coisas a sangue e fogo. Um dos três preferidos do Mestre. João, irmão de Tiago: jovem, virgem, culto, discípulo amado. Enamorado da luz e da verdade. Valente até a cruz. Jesus reprova o seu espírito vingativo. Presente também, como Pedro e seu irmão Tiago, na ressurreição da filha de Jairo, no Tabor e na agonia de Jesus. Ajuda Pedro a preparar a Páscoa. Na Última Ceia teve a graça de se recostar sobre o peito de Jesus e escutar as batidas do seu Sacratíssimo Coração. Cristo confia a ele a sua Mãe. É o primeiro a chegar ao sepulcro vazio de Cristo; vê e acredita. Reconhece Cristo quando Ele aparece junto ao lago de Tiberíades, com o olhar de águia que possuía. É encarcerado, julgado e posto em liberdade, como nos dizem os Atos dos Apóstolos. Felipe de Betsaida: homem simples, comunicativo. Chamado por Jesus. Jesus lhe perguntou onde comprar pão para dar de comer à multidão. Ele, realista e com os pés no chão, lhe diz que o salário de um ano não seria suficiente para cada um receber um pedaço. Na Última Ceia disse a Jesus uma das mais belas orações que o Evangelho recolheu: "Mostra-nos o Pai e isto nos basta". Bartolomeu ou Natanael: Do grupo, é um dos de mais profunda vida interior, mas é cauteloso e desconfiado. Antes de aceitar as razões do que lhe dizem, considera e reconsidera sem precipitações. Talvez já tivesse tido alguma grande desilusão na vida quando Felipe lhe disse que tinha descoberto o Messias. Jesus o elogia. Tomé passará para a história como símbolo da desconfiança. Um pouco contraditório. Apaixonado algumas vezes, como quando disse: "Vamos nós também morrer com Ele" (Jo 11,16). Sincero e alterado outras vezes, como quando diz: "Se não sabemos para onde vais, como vamos saber o caminho" (Jo 14,5). Independente, arisco, solitário, pois não estava com os outros quando Jesus apareceu ressuscitado (cf. Jo 20,24-29). Mateus é um personagem estranho no grupo. Um publicano, colaboracionista dos romanos; portanto, ladrão e caloteiro. Mas tão logo conheceu Jesus, deixou tudo e o seguiu, oferecendo-lhe um grande banquete em sua casa. De Tiago o menor nada nos dizem os Evangelhos, apesar de ele ser, provavelmente, primo carnal de Jesus, filho da outra Maria, irmã da mãe de Jesus. De sua vida e de seu caráter, tudo o que podemos saber surge da carta que conhecemos como sua. É um homem que detesta a inveja, a murmuração e a mentira; e ama a misericórdia e a compreensão. Homem duro no falar, trata a chicotadas os ricos, mas levanta em todas as suas páginas a bandeira da tolerância entre os homens e as suas idéias. Foi o primeiro bispo de Jerusalém. Menos ainda sabemos de Judas Tadeu, o irmão menor deste segundo Tiago, primo também de Jesus. Também escreveu uma breve carta onde admoesta os cristãos para não caírem na armadilha da doutrina gnóstica. Recomenda fidelidade àquilo que os apóstolos ensinaram e integridade na vivência da fé. De Simão o cananeu nada dizem os Evangelhos. Indignou-se, como os outros nove, contra os dois irmãos, João e Tiago, que pediam os primeiros lugares no Reino. E Judas, o traidor. Não foi o destino e muito menos Cristo quem fez de Judas um traidor. Foi elem que escolheu a traição. E o fez pouco a pouco. Jesus o escolheu em esperança, sabendo que dele poderia sair um santo, como de todos os outros. Jesus já predisse a traição de Judas depois da multiplicação dos pães, quase como um aviso amoroso ou um salva-vidas para que ele mudasse de planos. Sua atitude, depois da unção em Betânia, foi muito dura e já encerrava em germe a traição a Jesus. O próprio Jesus anunciou a sua traição próxima. Trai a Cristo com o sinal mais sagrado de amizade: um beijo. Mesmo assim, Jesus continua a chamá-lo "amigo" (cf. Mt 26, 50). Judas se desespera e se enforca (cf Mt 27, 3-8). Matias foi eleito apóstolo como substituto de Judas. (cf. Atos 1,15-26) CONCLUSÃO: Estes foram os seus apóstolos, seus íntimos, seus primeiros alicerces. Com eles Cristo fundou seu Reino e sua Igreja. Escolheu-os não por serem bons ou maus, mas porque quis. O amor foi o motivo da eleição. Jesus os escolhe por amor; os escolhe para eles levarem esse amor por toda a parte. O que lhes deu em troca? Sua amizade, sua predileção, seu amor, sua companhia, seu consolo aqui em baixo. E depois, a vida eterna. Hoje, Jesus continua chamando todos os homens e mulheres para lhe darem uma mão na bela e enorme empresa da Redenção. Há tanto por fazer. Há tanto trigo para colher. Faltam operários generosos e disponíveis. Jesus pede mãos que levem a sua semente; pede bocas que anunciem a sua mensagem; pede pés que levem por toda a parte a sua Boa Nova. |
Bento XVI dedica sua última reflexão de 2008 aos jovens <www.zenit.org, Janeiro 1> Bento XVI: com graça de Deus, futuro pode ser melhor que passado <www.zenit.org, Janeiro 1> Homilia de Bento XVI na noite de Natal <www.zenit.org, Dezembro 25> | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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